O aposentado Benedito Eduardo de Carvalho, de 59 anos, da cidade de Nazareno, poderá entrar para a história da Igreja. Ele está esculpindo a imagem de Frei Galvão, que será oferecida ao papa Bento XVI, em maio, em sua visita ao Brasil. Na ocasião, o religioso franciscano vai ser canonizado e se tornará o primeiro santo do país.Dito Santeiro (foto), como é conhecido, é apontado como "o herdeiro de Aleijadinho", graças à habilidade desenvolvida ao longo de 50 anos dedicados à arte sacra, período em que produziu mais de 200 imagens em madeira e pedra-sabão. São nossas senhoras, santas, santos, cristos, anjos, altares e outros. Peças criadas por ele também estão espalhadas pelo Brasil e Europa.
O presente do papa está em fase de acabamento e resta apenas retocar alguns detalhes, como as rugas dos dedos e o cabelo. O pergaminho, no qual está escrito a jaculatória em latim, dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição, vem abraçado ao peito. “Não há fotografia de Frei Galvão. O retratei baseado nos desenhos, talvez ele fosse mais jovem ou mais velho. Pensei em fazer uma capa, mas ficaria idêntico a Santo Antônio. Tudo que fiz saiu da minha cabeça”, diz.
De acordo com o santeiro, uma peça em tamanho natural é vendida por R$ 7 mil.
O reconhecimento do talento de Dito Santeiro correu o mundo a ponto de o artista receber uma encomenda do príncipe dom Miguel de Bragança, descendente da família real portuguesa, que esteve em Nazareno para conhecer as obras do artista. Dito esculpiu uma imagem de Santa Luzia, doada por dom Miguel à igreja de São Brás e Santa Luzia, pertencente à Ordem de Malta de Lisboa, em Portugal. No convento da Penha, em Vila Velha (ES), estão outras duas obras importantes dele: um crucifixo, em tamanho natural, e a imagem da padroeira.

